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Rússia Persegue Líderes Religiosos e Destrói Igrejas Cristãs

A mais alta corte europeia de direitos humanos concluiu que a Rússia cometeu graves violações contra a liberdade religiosa em territórios ocupados da Ucrânia desde 2014. Entre os abusos estão perseguições sistemáticas a cristãos ortodoxos, protestantes, judeus e muçulmanos tártaros. A decisão histórica do ECHR levanta um alerta urgente para líderes religiosos no Reino Unido sobre os riscos crescentes à liberdade de fé em zonas de conflito e sob regimes autoritários.
Segundo o portal Christianity Today, cerca de 500 igrejas e locais religiosos foram destruídos pelas forças militares Russas. Foto: Christianity Today

No dia 7 de agosto de 2025, o portal Law & Religion UK publicou uma análise contundente sobre a decisão da Grande Câmara do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (ECHR) no caso Ukraine and the Netherlands v. Russia, concluindo que a Rússia cometeu violações múltiplas, chocantes e sem precedentes da Convenção Europeia de Direitos Humanos, especialmente no que tange à perseguição religiosa.

Contexto Judicial e Conclusões do ECHR

Em 9 de julho de 2025 o ECHR decidiu, por unanimidade, que a Rússia é responsável por violências sistêmicas e em larga escala na Ucrânia ocupada desde 2014, incluindo intimidação e perseguição a grupos religiosos, além de outros crimes graves como execuções extrajudiciais, tortura, detenção arbitrária, deslocamento forçado de crianças, destruição de propriedade e supressão cultural e religiosa, segundo divulgação feita pela Reuters.

De acordo com matéria publicada no The Guardian, o ECHR concluiu, em sua decisão de admissibilidade, que desde 11 de maio de 2014, a Rússia exercia controle efetivo sobre parte do leste ucraniano (Donetsk e Luhansk), viabilizado, por presença militar direta, um apoio político e econômico aos grupos separatistas, fundamentando sua jurisdição mesmo em território estrangeiro.

Conforme divulgado no portal do Escritório do Conselho da Europa na Ucrânia, o Tribunal declarou que “em nenhum outro conflito trazido a julgamento houve tamanha condenação quase unânime da flagrante violação por um Estado dos fundamentos da ordem jurídica internacional desde a Segunda Guerra Mundial”

A perseguição a comunidades religiosas foi reconhecida como parte integrante das violações sistemáticas. Durante a ocupação, as religiões não alinhadas ao Patriarcado de Moscou, como a Igreja Ortodoxa de Kiev, Igreja Greco-Católica, Testemunhas de Jeová e comunidades muçulmanas sofreram assédio institucional incluindo sequestros, violência, destruição de templos, confisco de bens e medidas legais discriminatórias.

Segundo o The Guardian, esse veredito é frequentemente descrito como “histórico” e “sem precedentes”, tanto pelo seu escopo jurídico quanto pelo simbolismo para o Estado de Direito e direitos humanos europeus. Apesar de a Rússia ter sido expulsa do Conselho da Europa em 2022 e rejeitar a decisão, o veredito abre caminho para mais de 10 mil queixas individuais aguardando resolução no ECHR.



Impacto nas Comunidades Religiosas

1. Danos Físicos e Mortes de Líderes Espirituais

  • De acordo com o jornal The Kyiv Independent, desde o início da invasão em 2022, 67 líderes religiosos foram assassinados. Além disso, conforme o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, mais de 640 locais de culto, incluindo 596 igrejas cristãs, foram danificados ou destruídos.
  • Um levantamento feito pela Catholic News Agency, com base no relatório da USCIRF, corrobora esses números: 640 locais de culto afetados e a morte de 47 líderes religiosos, especialmente em territórios ocupados.

2. Repressão Legal e Burocrática

  • Segundo o portal Zenit.org, a Igreja Greco-Católica Ucraniana (UGCC) foi formalmente banida em várias regiões ocupadas, incluindo Zaporizhzhia. Organizações como Caritas e os Cavaleiros de Colombo também foram proibidas. Religiosos, como os padres Ivan Levitsky e Bohdan Geleta, foram detidos e torturados.
  • A USCIRF destaca que grupos religiosos como católicos, protestantes, Testemunhas de Jeová e muçulmanos tártaros são sistematicamente visados em função de leis vagas e seletivas aplicadas sob pretexto de combate ao extremismo, segundo a Catholic News Agent.

3. Perseguição de Protestantes e Pastores Evangélicos

  • Um relatório da Time relata ataques direcionados contra protestantes e evangélicos, em particular os Batistas, que são frequentemente alvos de perseguição, sendo associados à “influência americana”. Pastores e membros de igrejas têm sido interrogados, expulsos, presos e, em alguns casos, executados.
  • O Institute for Religious Freedom documentou a destruição e confisco de templos evangélicos, bem como a criminalização de cultos privados.

4. Ataques contra Muçulmanos e Testemunhas de Jeová

  • O Orthodox Times relatou que muçulmanos tártaros da Crimeia enfrentam prisões em massa, longas sentenças e maus tratos, como proibição de itens religiosos, obrigatoriedade de corte da barba e ingestão de alimentos proibidos.
  • As Testemunhas de Jeová, já banidas desde 2017, seguem sendo processadas. Em 2024, dezenas de fiéis foram detidos ou condenados, com muitos cumprindo sentenças acima dos limites previstos para sequestro.

5. Transformação Religiosa e Cultural através do Controle da Igreja

  • Relatórios da Church Times destacam que, das 1 967 congregações existentes em quatro regiões antes da ocupação, apenas 902 permanecem ativas, como resultado da deportação de líderes, despejos e destruição de centros religiosos.
  • A Igreja Ortodoxa Russa, alinhada ao estado, tem substituído o clero local por religiosos pró-Moscou. Mais de 1.600 paróquias, 23 mosteiros e oito dioceses da Igreja Ucraniana foram absorvidas ou administradas pelo Patriarcado de Moscou.

6. Testemunho de Gravidade e Desolação

  • Usuários da plataforma Reddit vêm registrando que autoridades russas fecharam, nacionalizaram ou converteram ao Patriarcado de Moscou dezenas de locais de culto, eliminaram líderes religiosos e destruíram expressões da fé local como parte de uma campanha planejada.


Reações e Implicações Éticas

Reações Oficiais e Diplomáticas

  • Reino Unido: Em uma declaração feita na OSCE em maio de 2024, o Reino Unido denunciou a repressão religiosa pela Rússia, destacando casos como a tortura e o assassinato do padre Stepan Podolchak e a perseguição a comunidades como as Testemunhas de Jeová e tártaros da Crimeia. O discurso ressaltou que edifícios religiosos foram transferidos para a Igreja Ortodoxa Russa e que materiais religiosos foram proibidos, chegando a criminalizar orações e a disseminação de literatura religiosa para além das organizações registradas, segundo registro no site oficial do governo britânico.
  • Conselho da Europa / ECHR: O veredito da Grande Câmara, entregue em 9 de julho de 2025, descreveu a Rússia como responsável por uma série de violações sistemáticas, incluindo perseguição religiosa como parte de uma estrutura repressiva. De acordo com relatório publicado no site do Conselho, esse veredito constitui uma condenação sem precedentes, tanto em termos jurídicos quanto simbólicos, desde a ordem jurídica internacional pós-Segunda Guerra.
  • França: o presidente Emmanuel Macron, através do Ministério das Relações Exteriores da França, destacou que a decisão do ECHR confirma um padrão orquestrado de abusos, envolvendo execuções sumárias, estupro como tática de guerra e perseguição religiosa, qualificando a condenação como “firme e clara”.

Implicações Éticas e de Longo Prazo

  • Centro para as Liberdades Civis (Ucrânia): Volodymyr Yavorskyi, diretor de programa, observou que a sentença do ECHR marca apenas o início de um processo complexo. Ele ressaltou a importância de ações concretas — como liberação de prisioneiros, reparação às vítimas, e reconstrução de organizações religiosas e civis — como medidas urgentes para restaurar a justiça socio-religiosa.
  • União Helsinki-Ucrânia: Oleksandr Pavlichenko advogou pelo envolvimento de entidades internacionais como ONU e missões do Conselho da Europa para garantir que a decisão do ECHR tenha aplicação prática e não fique apenas no plano retórico.
  • Centro Regional de Direitos Humanos: Mikita Petrovets enfatizou que os abusos documentados — incluindo perseguição religiosa — correspondem a possíveis crimes de guerra, e que o quadro apresentado pelo Comitê de Ministros do Conselho da Europa deve servir de base para investigações perante o Tribunal Penal Internacional.

Pressões Éticas para Líderes Religiosos e Instituições no Reino Unido

  • Solidariedade ativa: Há uma responsabilidade ética de que Igrejas, educadores e fundações cristãs no Reino Unido se envolvam – mediante orações, apoio institucional e comunicação com instâncias como Conselho da Europa – para amplificar a urgência de justiça e de liberdade religiosa.
  • Responsabilidade editorial e teológica: O testemunho de abusos contra a fé, descritos como parte de táticas de dominação, exige uma resposta que não se limite a reações simbólicas, mas que reafirme os princípios civilizacionais que sustentam a dignidade humana como valor inegociável.
  • Alerta pastoral: Para comunidades cristãs engajadas em missão e formação, esse veredito acende um alerta: é fundamental promover o entendimento de que a fé pode ser alvo em contextos autoritários, mobilizando esforços de empatia, educação e intervenção humanitária.

Síntese Ética

As reações institucionais ao veredito do ECHR, desde Londres e Paris até organizações ucranianas, revelam um consenso: trata-se de um momento de urgência moral e jurídica. A decisão em si é uma conquista histórica, mas, sem ações efetivas e solidariedade organizada, ela corre o risco de permanecer apenas uma retórica. Para líderes religiosos no Reino Unido, isso reforça tanto uma chamada à consciência como um convite à ação concreta.


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