Com as eleições gerais marcadas para o segundo semestre de 2025, o Reino Unido vê reacender o debate sobre imigração, especialmente em Londres — cidade símbolo da diversidade europeia.
A retórica anti-imigração tem ganhado espaço em distritos mais conservadores, como Barking & Dagenham e Havering, onde políticos locais têm defendido restrições mais severas, alegando sobrecarga nos serviços públicos.
Em contrapartida, bairros como Camden, Hackney e Southwark, de perfil progressista e majoritariamente jovem, defendem uma política de acolhimento e regularização de imigrantes.
Segundo dados do Office for National Statistics (ONS), 38,2% dos residentes londrinos nasceram fora do Reino Unido. A cidade abriga mais de 300 línguas faladas diariamente e comunidades significativas de origem indiana, nigeriana, romena, brasileira e polonesa.
Pesquisas recentes apontam que 62% dos londrinos apoiam políticas de imigração mais inclusivas, enquanto no interior da Inglaterra esse número cai para 41%.
Especialistas apontam que a imigração será tema decisivo nas eleições. “Mais do que uma questão econômica, trata-se de uma batalha sobre identidade e pertencimento nacional”, avalia a socióloga Claire Thompson, da London School of Economics.
Londres, que historicamente se beneficiou da força de trabalho estrangeira, agora se vê no centro de um embate: entre proteger suas raízes multiculturais ou aderir a um discurso nacionalista em nome da ‘segurança britânica’.