Londres, 27 de junho de 2025 — O governo do primeiro-ministro Keir Starmer anunciou nesta quinta-feira a suspensão dos planos para cortar benefícios de pessoas com invalidez e doenças de longa duração, em meio a uma onda de críticas de parlamentares trabalhistas e organizações da sociedade civil.
A proposta inicial previa mudanças nos critérios de elegibilidade para o auxílio, redução no valor dos pagamentos e revisão mais rígida dos casos de benefícios por incapacidade. O objetivo declarado do governo era conter gastos do sistema de bem-estar, que atingiram recorde nos últimos anos, especialmente após a pandemia e a crise do custo de vida.
Principais pontos do recuo:
O plano de reduzir ou desqualificar pessoas com condições como depressão severa, transtornos de ansiedade e doenças crônicas foi abandonado.
A revisão de elegibilidade para o Personal Independence Payment (PIP) e o Employment and Support Allowance (ESA) será pausada enquanto se realiza uma consulta pública mais ampla.
O governo promete abrir diálogo com associações de pessoas com deficiência, sindicatos e organizações de caridade para revisar a política de maneira mais inclusiva.
O que motivou a mudança de posição Segundo fontes do Partido Trabalhista, mais de 50 MPs expressaram diretamente ao gabinete do primeiro-ministro que votariam contra qualquer medida que impactasse pessoas vulneráveis.
A pressão aumentou depois que sindicatos e entidades como Disability Rights UK organizaram manifestações em frente ao Parlamento e viralizaram campanhas nas redes sociais, apontando que os cortes aprofundariam desigualdades e fariam pessoas em situação de doença ou invalidez enfrentarem ainda mais dificuldades para sobreviver.
Organizações de direitos das pessoas com deficiência comemoraram o recuo, mas afirmaram que a proposta inicial já deixou um “rastro de medo” entre milhões de britânicos que dependem do suporte para viver com dignidade.
Economistas progressistas argumentam que cortes nos benefícios seriam economicamente contraproducentes, pois aumentariam a demanda por serviços de emergência de saúde e assistência social, além de afetar o consumo em comunidades mais pobres.
A ala mais conservadora do Labour ainda defende uma revisão do sistema de bem-estar, alegando que há “fraudes e ineficiências” a serem corrigidas, mas admite que a proposta foi mal calibrada e apresentada em um momento politicamente delicado.
Próximos passos O governo deve lançar, nas próximas semanas, um plano alternativo para combater fraudes sem afetar diretamente beneficiários legítimos. Keir Starmer também prometeu reforçar programas de reabilitação e inclusão no mercado de trabalho para pessoas que tenham condições de retornar a alguma atividade remunerada.
A decisão de recuar marca uma derrota política para a equipe econômica de Starmer, mas também evidencia a força do debate público e da pressão social em um tema que toca diretamente a vida de milhões de cidadãos. Para muitos analistas, o episódio mostra os desafios de equilibrar responsabilidade fiscal e compromisso social, especialmente em um país ainda lidando com os efeitos prolongados da pandemia e da inflação alta.
Fontes consultadas
BBC News UK – Cobertura sobre benefícios de incapacidade e resposta do governo Starmer
The Guardian – Artigos sobre debates internos no Partido Trabalhista e reações de MPs
Disability Rights UK – Comunicados oficiais e notas à imprensa
Sky News – Entrevistas com economistas e representantes de sindicatosOffice for National Statistics (ONS) – Dados atualizados sobre gastos em bem-estar social
Instituto Joseph Rowntree – Relatórios sobre pobreza e impacto de cortes em benefícios
Declarações públicas de MPs trabalhistas nas redes sociais (Twitter/X e Instagram)Site oficial do Governo do Reino Unido – Propostas de reformas no sistema de benefícios