A aliança BRICS — hoje composta por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos — prepara sua 17ª cúpula, que ocorrerá nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, com foco em expansão, desdolarização e integração sul-sul.
Atualmente, o grupo representa:47% da população mundial37% do PIB global em paridade de poder de compra (PPC)1/4 das exportações mundiais de petróleo e gás 41% da produção agrícola mundial.
Além dos nove países-membros, o BRICS concedeu status de “partner countries” a 9 novas nações, incluindo Cuba, Indonésia, Vietnã, Bolívia, Malásia e Uzbequistão, sinalizando o desejo de se tornar uma plataforma global alternativa ao G7 e à OTAN.
Um dos principais temas da cúpula será a criação de uma moeda digital lastreada em commodities, com objetivo de facilitar o comércio entre países membros e reduzir a dependência do dólar.
O Banco de Desenvolvimento dos BRICS, liderado pela ex-presidente Dilma Rousseff, está conduzindo os estudos.
Segundo relatório do think tank Eurasia Group, 47% das trocas comerciais entre Rússia e China em 2024 já foram feitas em moedas locais, e a tendência é que esse modelo seja replicado com mais países até 2027.
A cúpula também abordará questões de cooperação em inteligência artificial, segurança alimentar e infraestrutura. Especialistas apontam que a estratégia do bloco é se posicionar como voz ativa no redesenho da ordem mundial pós-pandemia e pós-guerra.
Ao ampliar sua atuação em temas estratégicos como inteligência artificial, segurança alimentar e infraestrutura, o bloco sinaliza uma ambição clara: deixar de ser apenas um ator regional para se tornar protagonista na redefinição das estruturas globais. Em um mundo marcado por rupturas geopolíticas e transformações tecnológicas aceleradas, a cúpula não é apenas um fórum de debate é um movimento calculado para reposicionar poder, influência e narrativa no cenário internacional. O que está em jogo não é apenas o futuro das nações envolvidas, mas a arquitetura da próxima era global.