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Charity que oferecia cursos em gestão financeira é investigada por falha na entrega de suas contas

A Community Accountancy Self Help (CASH), uma instituição de caridade sediada em Londres que oferece treinamento em gestão financeira para outras entidades do terceiro setor, está oficialmente sob investigação da Charity Commission, o órgão regulador de instituições beneficentes na Inglaterra e País de Gales, por falhar seguidamente em submeter as suas próprias contas de forma tempestiva.

A BBC noticiou recentemente que a Community Accountancy Self Help (CASH), uma instituição de solidariedade sediada em Londres que oferece treinamento em gestão financeira para outras entidades do terceiro setor, está oficialmente sob investigação da Charity Commission, o órgão regulador de instituições beneficentes na Inglaterra e País de Gales.

De acordo com a reportagem da BBC, os reguladores observaram uma “falha persistente” na entrega de relatórios e contas, nota registrada por mais de mil dias para algumas prestações. Este padrão de descumprimento levou à abertura de uma “statutory inquiry” – uma investigação formal habilitada por lei.

O que o governo revela

O comunicado oficial do governo, datado de 10 de janeiro de 2025, confirma que esta é a terceira vez que a CASH é enquadrada no processo de “double defaulter” (dupla inadimplência), o que já ocorreu em 2018 e 2020. E mais: a charity falhou em apresentar contas dos exercícios encerrados em março de 2021, 2022 e 2023, sendo que a de 2021 está com atraso superior a mil dias.

A investigação, aberta em 10 de dezembro de 2024 ao abrigo da seção 46 da Charities Act 2011, está avaliando se os administradores (trustees):

  • Cumpriram os deveres legais na preparação, conteúdo e envio dos relatórios anuais e contas;
  • Geriram a instituição conforme seus objetivos e normas estatutárias, contando com trustees suficientes e competentes;
  • Houve conduta imprópria ou má gestão na administração geral da charity

Dados mais recentes

Uma pesquisa feita pela Verbo News mostra que a entidade parece estar inativa desde 2018, ainda que isso não isente os curadores (trustees) da organização de seus deveres legais.

  • A última postagem no Facebook da instituição (https://www.facebook.com/CASHsmallcharity/) foi feita em março de 2018
  • o website cash-online.org.uk, publicado na página do Facebook, não existe.
  • Segundo o site da própria Charity Commission, a entidade não apresentou seus balanços nos últimos 4 anos consecutivos e está insolvente.
  • Tentamos entrar em contato com a organização pelo número de telefone informado na página do Facebook mas não completou, indicando que o número não funciona mais.

Por que tudo isso importa?

Este caso é emblemático: uma organização que se propõe a ensinar gestão financeira está falhando em cumprir os seus próprios deveres contábeis. A Charity Commission ressaltou que, dada sua natureza educativa, a CASH deveria ser um exemplo no que diz respeito à conformidade pouparia. O reiterado descumprimento preocupa, pois afeta a confiança pública, base de toda instituição beneficente.


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Recomendações para charities registradas

  1. Apresentação anual obrigatória: todas as charities no Reino Unido devem entregar, com pontualidade, sua trustees’ annual report, annual accounts e annual return à Charity Commission. A falha repetida pode gerar investigações formais.
  2. Contas claras e auditáveis: os documentos devem refletir de forma fiel a saúde financeira e as atividades da instituição, garantindo transparência e rastreabilidade.
  3. Boas práticas de governança: ter trustees voluntários e qualificados, que entendam seus deveres (como delegados legais), evita riscos de gestão negligente ou irregular.
  4. Monitoramento contínuo: mantenha calendários de entrega, alertas internos e auditorias regulares para evitar atrasos ou omissões.

Como se vê pela própria história da CASH, tais omissões se tornam cada vez mais visadas pelos reguladores. Investigações como esta já não são exceção – são regra. E o preço pode ser alto: desde sanções administrativas, ordens para nomear um gestor interino, até possíveis remoções de trustees e danos reputacionais graves.

Conclusão

A investigação contra a CASH mostra que até mesmo organizações que ensinam gestão financeira não estão imunes às consequências de atrasos e descumprimento legal. Para evitar esse tipo de caso – cada vez mais comum no Reino Unido – as charities registradas devem obedecer estritamente às exigências da Charity Commission: prestação de contas anual, clareza sobre uso de recursos, governança eficaz e entrega tempestiva dos documentos. Só assim se protege a confiança do público, a reputação da instituição – e evita-se virar manchete por falhas que, na teoria, “não deveriam acontecer”.

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