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Charities e CICs: modelos distintos, impacto complementar no Reino Unido

Num país onde o setor social movimenta bilhões de libras e transforma comunidades, entender as estruturas que o sustentam é crucial. Charities e CICs (Community Interest Companies) são dois pilares desse ecossistema no Reino Unido. Embora compartilhem o compromisso com o impacto social, seguem modelos jurídicos, operacionais e de financiamento bastante diferentes — e igualmente […]

Num país onde o setor social movimenta bilhões de libras e transforma comunidades, entender as estruturas que o sustentam é crucial. Charities e CICs (Community Interest Companies) são dois pilares desse ecossistema no Reino Unido. Embora compartilhem o compromisso com o impacto social, seguem modelos jurídicos, operacionais e de financiamento bastante diferentes — e igualmente relevantes.

O que são Charities e CICs?

Charities, ou instituições de caridade, são organizações voltadas exclusivamente para o benefício público. Devem cumprir objetivos sociais, culturais, ambientais ou religiosos com transparência e isenção de fins lucrativos. São registradas e supervisionadas pela Charity Commission (na Inglaterra e no País de Gales) e seguem regras rígidas de governança.

Já as CICs são uma forma inovadora de empresa social. Surgidas em 2005, têm fins lucrativos limitados por um “asset lock”, que obriga a reinversão dos lucros para a comunidade. São reguladas pelo CIC Regulator, com registro na Companies House. Seu diferencial está na flexibilidade: fundadores podem ser remunerados, manter controle executivo e operar comercialmente.

A caridade britânica movimenta mais de £80 bilhões anuais, segundo a National Council for Voluntary Organisations (NCVO), com mais de 160 mil charities registradas.

Ao mesmo tempo, o número de CICs ultrapassa 28 mil, e cresce a uma média de 12% ao ano.

Charities mantêm o tecido social em pé, desde abrigos e serviços de saúde mental até projetos culturais e escolas comunitárias.

CICs, por outro lado, têm se mostrado vitais para a inovação social, pois unem propósito com viabilidade de mercado, atraindo investimentos e promovendo soluções sustentáveis.

Exemplo: saúde mental e habitação

Projetos como o Mind, uma das maiores charities do país, oferecem suporte gratuito em saúde mental. Já CICs como o Bounce Back CIC treinam ex-detentos em construção civil, gerando reinserção social via mercado de trabalho. Ambas abordagens enfrentam os mesmos problemas de base — exclusão, pobreza, crise de moradia — com táticas complementares.

Muitas organizações têm adotado uma estrutura híbrida: uma charity como matriz, responsável pelas atividades beneficentes, e uma CIC como braço operacional. Essa combinação permite acessar fundos filantrópicos e capital de risco social, diversificando receitas e ampliando impacto.

A escolha entre charity e CIC depende do perfil do projeto, da missão e das fontes de financiamento pretendidas:Se o foco é puramente beneficente, com forte apelo público e busca por doações e isenções fiscais, a charity é o caminho.

Se há atividade comercial, necessidade de remuneração dos fundadores e agilidade operacional, a CIC oferece maior autonomia.

Charities e CICs são duas engrenagens fundamentais do setor de impacto no Reino Unido. Em tempos de cortes públicos e desafios sociais crescentes, compreender essas estruturas permite que empreendedores sociais, doadores e formuladores de políticas escolham formatos mais eficazes para transformar realidades.

Seja pela via tradicional ou pelo modelo inovador de negócios sociais, o mais importante é manter o foco no bem coletivo — e construir soluções sustentáveis para o presente e o futuro do Reino Unido.

Fontes:

Charity Commission UK (www.gov.uk/charity-commission)

CIC Regulator (www.gov.uk/government/organisations/office-of-the-regulator-of-community-interest-companies)

National Council for Voluntary Organisations (www.ncvo.org.uk)

Companies House UKResolution Foundation

Big Society CapitalSocial Enterprise UK

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